segunda-feira, maio 28, 2007

O livro da Né

V
Chegada a casa da mãe, onde ficava sempre que vinha de férias, Leonor entrou pé ante pé, como uma adolescente, de memórias longínquas, das noites de borga sem que os pais dessem conta.
Hoje, era uma mulher feita! Detestava que a lembrassem disso, mas que era uma mulher feita, era! Feita de experiências fantásticas vividas pelo mundo fora, que a foram saturando e afastando de todos.
Tinha chegado ao fim da meta e o balanço não era grandemente positivo: mãe solteira de uma adolescente, casa nova, e um mestrado que parecia nunca mais acabar.
O que lhe ía valendo eram os freelance que fazia. Sempre ajudavam nas despesas e lhe revelavam novos materiais para o mestrado.
Politica? As outras riam-se e diziam que era para o tacho, mas ela era uma mulher feita de valores. Sempre sonhara em promover grandes campanhas, com grandes nomes e grandes ideais e agora, que a meta do resto da vida tinha aparecido, porque não investir no que sempre sonhara?
Talvez um dia alguém notasse que ela era uma mulher de grandes ideais e ideias.
Deitou-se serenamente a pensar no jantar e nas conversas e descodificou as entrelinhas de todos os sorrisos e comentários.
Rita estava desfeita, mas a miúda é nova e vai recuperar. O palerma lá do Luís Miguel ainda havia de voltar como um carneirinho…"dá-me tempo", disse ele, quando sentiu que o romance era mesmo a sério. Compromissos! Nunca querem compromissos, estes tipo de agora!
A Beatriz, amiga de longa data, e o elo de ligação entre todas, continuava serena, mas com um olhar inquieto .Que seria? Não tinha dado para conversar mais proximamente, mas ela sabia que algo não estava bem.
-Amanhã ligo-lhe e vamos tomar um café e descubro tudo.
Bem, a Maria, essa continua na mesma! Louca, desvairada mas ao mesmo tempo ponderada. "Sempre optimista, aquela rapariga!",pensou Leonor já quase a dormir.
Apesar da vida alucinada e de ser uma inconstante nos desejos que tinha, era uma optimista que fazia ficar todos de bem com a vida .Leonor dizia-lhe que ela tinha uma missão grande…e as amigas eram essa missão.
Foi adormecendo com o olhar de Maria, que era o sorriso que a embalava pela noite dentro.
Mais uma semana começa...esta, ainda no rescaldo das provas de aferição...que eu ainda não percebi quem e o quê é aferido!!!
Mas por aqui ainda se está em brasa:eleições para conselho directivo!Oh! Mas que giro!
Depois de se saber que íam unir a escola do 2º ciclo à secundária o burburinho iniciou-se...e entretanto aparecem duas listas!A gargalhada impõe-se para os que apenas votarão, sem receber o poder, a responsabilidade...mas os outros, aqueles que por todas as razões dão a cara para depois darem o corpinho...esses, sorriem procurando nos olhares se terão apoio ou não!
Eu ainda acredito, talvez inocentemente, que para muitos é por amor à profissão, por querer mudar, para melhorar...espero não ficar desiludida!
Entretanto a vida vai correndo, por entre coisas boas e menos boas...
A Beatriz está quase a chegar, e a barriga da futura mãmã vai mexendo, enlouquecendo o futuro pápá...e eu, nem me conheço com a calma que vou sentindo nesta espera.
A Leonor lá vai continuando nos trabalhos escolares...sempre atrasados devido ao encantamento por outras coisas...e depois fica de castigo...não pode ir correr lá para fora como adora,com o vento a bater-lhe na cara de traquina...e choraminga agarrada a mim, sabendo que tenho razão mas a ver se me dá a volta!É fantástica!
O João...continua a ser o máximo:conversas de vocabulário apurado que me faz sentir orgulho e medo ao mesmo tempo.Ele é mesmo diferente e adulto, mas depois é uma guerra para tomar banho...e lavar os dentes!A adolescencia chegou lá a casa e eu não estou preparada!
E o sol vai cair lentamente e eu vou encontrar o colinho que quero...que me ampara em carinhos apaixonados, beijos meigos...e me faz viver.
Adormecerei de mão dada com o futuro, nos braços de quem gosto...e amanhã tudo vai começar...
Boa semana para todos.

sexta-feira, maio 25, 2007

Mais um final de semana!
Finalmente 6ª Feira...que apetecida 6ª Feira!

quarta-feira, maio 23, 2007

A Canela!

Não estou triste!
Por vezes desanimo, mas não estou triste.
Sinto que o tempo se perde por coisas banais,em esperas disto e daquilo.Mas sem interesse.
Tempo que podia preencher com carinhos e ternuras que se descobrem, na leitura das primeiras palavras da terrorista cá de casa,e nas pesquisas para os trabalhos da escola do intelectual...
Sinto falta desse acompanhamento que me é obrigado, mas que acaba por ser querido, tornando-se não numa penosa tarefa, mas sim numa saborosa companhia e união.
E o tempo que me dedico a mim?Para o corpo...como deveria fazer!!!já nem me lembro!um óleo que percorre a pele marcada pela idade, é o luxo a que me dou entre banho e toalhão...
O resto vai sendo como o pó fino de canela!Pouco, raro, de cheiro intenso e apetecível...
Afrodisíaca...a canela... entranha-se em mim e faz-me desejar mais e mais os momentos que procuro e vou encontrando...

quarta-feira, maio 16, 2007

A Amizade não se conta...sente-se...e eu sou assim:sinto no mais profundo de mim própria, tantas vezes em silêncio, sorrindo e gargalhando, chorando e morrendo.
A Amizade não se diz...sussurro-a ao ouvido sem que o vento me leve as palavras...
A Amizade não se mostra...pinto-a em cores imaginárias de olhos bem fechados e que vão surgindo...

O livro da Né

IV

Era quase duas da manhã quando Rita chegou ao hotel onde ficava sempre que vinha ao norte. Estava cansada e teria de se levantar cedo para regressar a Lisboa.
Sentou-se na beira da cama e acendeu um cigarro. Um soluço de lágrimas que se preparavam para a inundar apareceu, e Rita não conseguiu mais conter.
A noite trouxera muitas recordações. Como as tinha conhecido fazia parte da história de amor que ainda lhe manchava a alma.
Olhou sôfrega para o ecrã do telemóvel com esperança de alguma chamada não atendida ou sms por ouvir, mas nada. O ecrã continuava escuro, como ela se sentia.
Todas tinham sido umas queridas e lhe diziam que tudo ía passar, mas não contabilizavam os minutos, as hora, os dias que demoraria a passar.
Porquê?
Tinham-se conhecido numa das viagens proporcionadas pela agência de publicidade onde trabalhava.
A mãe da Rita sempre a avisara para seguir outro curso. Agora tinha uma filha psicóloga a trabalhar em cores, palavras e logótipos, “que nem sei o que isso é!”, refilava com a filha sempre que esta aparecia.
A viagem até ao sul no Inverno não era de se deitar fora, por isso Rita melancolicamente com os seus 28 anos foi apreciando a paisagem por onde passava.
Logo que chegou, apresentou-se e foi levada para uma sala onde outros publicistas se encontravam e discutiam as novas tecnologias. Viu-o logo que entrou: alto, moreno, expressivo na maneira de falar.
Há muito tempo que não via alguém assim parecido…e ficou fascinada com o “colega” de workshop!
As sessões foram decorrendo com algumas inovações até à hora do jantar, que seria servido numa grande sala, só para os participantes.
Estes foram-se distribuindo pela sala e sem querer, e à filme “holywoodesco”, Rita ficou em frente ao exuberante colega.
Sorrisos trocados, palavras de circunstância, concluiriam que viviam nas redondezas um do outro e que eram uns apaixonados por desportos radicais e automóveis.
Bem, nesta parte de automóveis, jipes e familiares, já Rita dizia que sim, pois o jantar já ía longo e tinha sido abundantemente regado com um vinho tinto excelente.
Depois do jantar, todo o grupo se dirigiu ao bar do hotel a por ali foram ficando a conversar e bebendo um copo de final de noite.
Rita pouco tempo ficou, pois já se sentia bastante dormente, e na manhã seguinte teria de fazer uma exposição do trabalho que estava a ser desenvolvido pela agencia onde trabalhava.

quinta-feira, maio 10, 2007

Apesar de ser uma "mulher de fé", como se diz, não sou muito ligada a imagens e a mitos religiosos.Mas não posso deixar em branco estes momentos que são vividos por todo o lado...as peregrinações a Fátima.
São tantos os peregrinos que vejo por estas estradas carregados de devoção...
Este ano foi doloroso para mim...fiquei em casa, não caminhei, mas acompanhei por entre soluços, angustia e tristeza que se foi tornando esperança, a viagem da amiga que se confunde com a irmã...
Chegaste agora ao fim do caminho, mas também ao inicio de um outro doloroso, mas cheio de esperança.
Tudo vai correr bem, querida Nani...és uma Mulher de Coragem, de Fé, de um Mundo de coisas boas.
Vais conseguir...e estarei por cá sempre ao teu lado.

quarta-feira, maio 09, 2007

CALEM-ME A CRIANCINHA QUE NÃO CONSIGO MASTIGAR
João Miguel Tavares
Jornalista
jmtavares@dn.pt

Estava Miguel Sousa Tavares na TVI a comentar a nova Lei do Tabaco quando da sua boca saltou esta pérola: o fumo nos restaurantes, que o Governo quer limitar, incomoda muitíssimo menos do que o barulho das crianças - e a estas não há quem lhes corte o pio. Que bela comparação. Afinal, o que é uma nuvenzinha de nicotina ao pé de um miúdo de goela aberta? Vai daí, para justificar a fineza do seu raciocínio, Sousa Tavares avançou para uma confissão pessoal: "Tive a sorte de os meus pais só me levarem a um restaurante quando tinha 13 anos." Há umas décadas, era mais ou menos a idade em que o pai levava o menino ao prostíbulo para perder a virgindade. O Miguel teve uma educação moderna - aos 13 anos, levaram-no pela primeira vez a comer fora.Senti-me tocado e fiz uma revisão de vida. É que eu sou daqueles que levam os filhos aos restaurantes. Mais do que isso. Sou daquela classe que Miguel Sousa Tavares considerou a mais ameaçadora e aberrante: os que levam "até bebés de carrinho!". A minha filha de três anos já infectou estabelecimentos um pouco por todo o país, e o meu filho de 14 meses babou-se por cima de duas ou três toalhas respeitáveis. É certo que eles não pertencem à categoria CSI (Criancinhas Simplesmente Insuportáveis), já que assim de repente não me parece que tenham por hábito exibir a glote cada vez que comem fora - mas, também, quem é que acredita nas palavras de um pai? E depois, há todo aquele vasto campo de imponderáveis: antes de os termos, estamos certos de que vão ser CEE (Crianças Exemplarmente Educadas), mas depois saltam cá para fora, começam a crescer e percebemos com tristeza que vêm munidos de vontade própria, que nem sempre somos capazes de controlar.O que fazer, então? Mantê-los fechados em casa? Acorrentá-los a uma perna do sofá? É uma hipótese, mas mesmo essa é só para quem pode. Na verdade, do alto da sua burguesia endinheirada, e sem certamente se aperceber disso, Miguel Sousa Tavares produziu o comentário mais snobe do ano. Porque, das duas uma, ou os seus pais estiveram 13 anos sem comer fora, num admirável sacrifício pelo bem-estar do próximo, ou então tinham alguém em casa ou na família para lhes tomar conta dos filhinhos quando saíam para a patuscada. E isso, caro Miguel, não é boa educação - é privilégio de classe. Muita gente leva consigo a prole para um restaurante porque, para além do desejo de estar em família, pura e simplesmente não tem ninguém que cuide dos filhos enquanto palita os dentes. Avós à mão e boas empregadas não calham a todos. A não ser que, em nome do supremo amor às boas maneiras, se faça como os paizinhos da pequena Madeleine: deixá-la em casa a dormir com os irmãos, que é para não incomodar o jantar.
Sinto me perdida num mar de pensamentos...
a amizade, que se confunde num amor fraternal, leva-me quase à loucura por nada poder fazer para mudar o destino de quem amam, e sinto o sacrifico nas palavras que ouço por entre soluços...em lado nenhum se aprende a sofrer assim...
o amor que tardou em chegar, e chegou, mas que se torna fugidio nas incertezas, nos medos de dizer e de perguntar o que me vai na alma, o que sinto em desejo.
mas não sei ser quem os outros querem, não consigo manter sempre o riso, morro por dentro e parto-me em bocadinhos.
continuo a estar sempre para os outros,quando querem, quando precisam, quando choram, quando riem...mas falhei hoje.
falhei comigo.não estive onde devia estar.e senti o que mais me faz doer, o que sempre me fez doer...solidão imensa, desamparo.
a tristeza abraçou-me

quarta-feira, maio 02, 2007