domingo, junho 26, 2016

pela morte, pela vida

hoje já andei ao "estalo" com quase toda a gente que me rodeia.gritei,disse o que não devia e tratei todos com 7 pedras na mão.
mas apenas queria parar.parar de pensar e de sentir esta coisa que me amarfanha todos os dias desde que te foste.
por vezes, quando digo, desde que te fostes, não sei se penso em ti pai, não sei se penso em ti, meu filho.
um foi-se pela lei da morte,outro pela lei da vida.
mas apetecia-me tanto, que tanto um como outro me embalassem num baloiço deserto,num local deserto e me deixassem gritar, gritar até não ter voz.
depois, do pai ouviria as palavras de preocupação dele comigo, de me saber triste e desapontada comigo própria,mas também a ajuda para seguir em frente.fazes-me falta,fazes-me tanta falta para eu conseguir andar para a frente.e fazes-me falta porque eras o meu ouvinte.
depois, do filho ouviria palavras de queixume e de uma adolescência a roçar a idade adulta cheia de dúvidas e desencantos,mas também de sonhos escondidos e esquecidos que continuam dentre dele.fazes-me falta, fazes-me tanta falta para eu andar para a frente com o coração apaziguado de ti.e também tu foste o meu ouvinte.
o dia foi sem os dois, um pela morte outro pela vida.
e a solidão ruidosa em mim ficou, e só quero gritar por vocês.

segunda-feira, janeiro 26, 2015

perdidas uma da outra.

a dor a perda de um amigo, de um familiar é sempre tão grande que nos arrasta numa loucura que não passa.
mas e a morte de quem foi e deixou de ser alguém na nossa vida?
conheci-a já há uns anos.gostamos logo uma da outra,sorriamos,conversávamos e trocávamos ideias sobre a vida que ainda estava por vir.
sim...lembro-me do sorriso de míúda,de alguma timidez disfarçada e lembro-me do sentimento que tive. vi nela, e disse-lhe muitas vezes, que me via  a mim.
depois foi o amor que nos uniu e o mesmo amor que nos destruiu a amizade.
e foi o irracional, o ciúme,a maldade que nos envolveram até nunca mais nos vermos.
nunca mais nos vimos e agora ficou este vazio estranho.
perdi-a sem nunca mais a ter encontrado para lhe dizer que não valia mais a pena o que tinha acontecido.para lhe dizer e sei lá,sentir que todo o rancor já não existia.
ficarei sempre com a mágoa de não ter estado por perto,de não ter partilhado as nossas vidas.
porque tudo poderia ter sido diferente. podíamos ter sido sempre amigas.
 e a dor está cá de te perder.
de nos termos perdido uma da outra.
Catarina.

sábado, novembro 29, 2014

O meu diretor Toni

há uns 6 anos a minha vida levou um tropeço tão grande que pensei que ia deixar de respirar a qualquer momento.
a morte do meu pai, impensável e repentina, com um doloroso apagar de tudo foi como se levasse um tareia contínua até não sentir nada.
depois veio a indiferença.indiferença pelo bom e pelo mau.indiferença pela vida, pelos festejos,pelas desilusões mundanas, indiferença pela morte de outros a quem a vida se prolongou em mais anos que os que o meu pai tinha.
dizia eu, foi na sua hora, viveu uma vida,foi depois do meu pai.
cheguei a ficar deslumbrada comigo própria por ter estas tão serenas reacções,por pensar no inevitável como próprio e existente consumado.
e sentia-me acima de tudo e de todos.
enlouqueci.
até a noticia de mais uma morte anunciada. soco no estômago e outra vez a perder as estribeiras respiratórias.
fiquei sem respirar, não consegui engolir, não queria pensar.
e a morte saiu outra vez à rua.
e levou-o.
fomos amigos e colegas de trabalho.lembro-me do olhar tímido sem me conhecer, sentado numa mesa, numa salinha de gargalhadas enquanto ele brincava no computador.
ali entrava, ria-se,fumava o cigarrito e regressava ao que gostava de fazer:ensinar.
depois veio um novo rumo.dele e meu. fui para longe e quando volto já não havia salinha.
as gargalhadas continuaram,o meu cigarro desapareceu mas o olhar tímido, agora mais confiante estava lá.
zanguei-me,desiludi-me,apoiei,dei a minha mão, o meu respeito,os meus desatinos, as minhas refilices.
tudo durante tanto tempo e criou-se um sentimento tão grande de amizade,sentimento que continuo a dizer e a sentir como sendo a mais bela forma de amar.
nunca lhe disse,nunca lhe mostrei a sério o quanto o sentia no meu coração.
e ele foi.
e não consigo acreditar,porque não consigo respirar. não consigo aceitar,não consigo pensar.
saudade fica e mais uma raiva sem nunca mais passar.
um dia, Toni, vou te dizer o quanto estou zangada contigo.por teres ido sem hora,sem aviso,sem dever de ir.

quinta-feira, abril 24, 2014

o beijo

Durante toda a vida fomos ouvindo e vivenciando o beijo.
De pequenos nos ensinam a beijar por carinho, por respeito, por amor, e o beijo é sugerido a todo o momento seja querido ou não.
Beijamos por tudo e por nada, com vontade, deliciosamente, sentindo o sabor da alegria, ou então "pregamos" aquele beijo sem açúcar ou sal, obrigados pela conveniência e bem se é no cumprimento menos formal.
E o tempo passa, e o beijo acaba quase por nem se notar.
Mesmo que o seja dado com toda a emoção, acaba por ser mecânico, sem floridos e cores, logo pela manhã e mesmo ao deitar.
Ali fica a sensação de beijo sem o ser.
O tempo passa...
E de repente, um beijo sabe a toda avalanche de montanha russa. Simplesmente um beijo.
Surgem lembranças de risos, de brincadeiras, de vozes longínquas e perdidas de nós, surge o menos bom, mas recheado da força que sempre existiu.
O calor, o amor em todas as formas que me lembro ressurgem naquele simples beijo.
E há tanto tempo que não te dava um beijo...irmão.

terça-feira, outubro 30, 2012

Faceook,ou não?

Em tempos, aquando do grande "boom" do facebook, na loucura de escritas e de algumas brincadeira que nem sempre caiam bem escrevi mais ou menos isto:
"o facebook é como a minha casa.desorganizada, complicada de gerir e muitas vezes numa confusão saudavel de risos e conversas que a nada chegam, mas que se vão verbalizando em contextos desencontrados.
Quem aqui vem que venha por bem,que se gosta fique e dê ar de graça, que esteja nos risos e nas discussões com dignidade,mas quem vier por mal, quem vier para não partilhar um pouco de si que vá e não volte.
Na minha casa entra quem eu quero, quem eu gosto e quem eu confio.Os outros não passam da porta e não os quero por aqui.
Na vida todos acabamos por "descarregar" no facebook,(será mais fácil?) as chatices que nos agridem,as palermices que não dizemos em voz alta, a cusquice que todos adoramos fazer e a brincadeira que em momentos de realidade trocamos uns com os outros."
Assim ficou mais ou menos para quem viesse...
Mas com o tempo fui dando-me conta,numa ignorância mais ou menos entendida,que os que estavam como gente normal,que aproveita para se desmembrar dos dias complicados que vai tendo e desabafa como quem escreve um diário sem pensar,mas sempre esperando uma pequena palavra de carinho ou um abraço virtual,estavam presentes,ali,sempre que eu precisava e me entrosava nas memórias e nos desabafos...mas e os outros?Voyers de pouca classe,esperando momentos para alfinetar a desgraça alheia e mesmo parodiar de momentos tristes partilhados por todos.Na falsa amizade real, porque não faz sentido amizades facebookianas que não existam na realidade,foram buscando nas opiniões,nas decisões que sempre partilhei,motivos para achincalhar,usar no realidade o que sempre sentiram: sentimentos repugnantes na minha vida,que não concebo para orientação de percurso no meu dia a dia...
Assim encerrei o facebook.por tempo indeterminado,porque por lá ficam muito mais os amigos e familiares que os outros.E dos amigos e familiares já sinto saudade de gargalhar,de brincar e de discutir,nesta aprendizagem diária que é a vida.
E o facebook tornou-se num grande abismo pessoal,que me deixa a pensar se já só vivia num mundo virtual e a realidade era uma mera visão...

quinta-feira, julho 26, 2012

mundo!

dizem que estou contra o mundo.
e estou...este não é o meu mundo.

partilhar...

tenho andado para partilhar,nestes tempos de partilhas sem o ser,o momento de felicidade.
num pequeno pestanejar de olhos o amor brotou e ficou.ficou ali suspenso por tanto tempo que pensei que não existisse e tantas vezes o coloquei em causa.mas não, estava ali,num sussurro perto do coração a dizer que não,num arfar ao ouvido pelo sorriso em gargalhado dos sim da vida.ali estava,amor de paixão sempre vivo e eu sem acreditar que tal fosse possivel.
percorri a vida,claro que como todos,de altos e baixos de grandes e pequenas coisas,e aquele amor sempre ali,que eu via pelo simples pestanejar,ou sentia como o ar que nos envolve,que nos alimenta a todos os segundos.
e o amor ali estava,de mão dada,apertando-a quando pressentia o perigo de me ver perder,e segurando quando as forças perdia pela angustia de não me encontrar.ai,mão sabedora do que é o amor que não deixa a paixão desaparecer.ai,mão sabedora de mim mais do que própria eu sou.
e quando a vida se tornou no desespero da morte anunciada, que amor cheio de vida e paixão se instalou em mim,como o eterno momento de felicidade,aquele por quem corremos para encontrar e passamos um caminho longo e não o sentimos e não o alcançamos.
e se no pequeno pestanejar este amor brotou e ficou, foi num ultimo momento que falou mais alto e ali,senti que te amava,que sempre fui apaixonada por ti,que foste a felicidade,o meu sorriso de vida, a alegria da vida que continuo a celebrar até te encontrar em outro lugar.
que a partilha sirva para outros encontrarem a verdadeira essência da vida...

terça-feira, março 20, 2012

amor...

fevereiro já passou e março vai a meio...e o sol continua a brilhar e tanto se tem passado.
por este caminho de dias seguidos de meses consecutivos,fui vendo-me no passado,fui sentindo-me nos tempos de outrora,tão longe que eles são.
tudo se conjuga...e o amor,primeiro,segundo o terceiro aparece e arrebata.fez-me sorrir em sonhos,rir nos dias bons e não perceber porque não é eterno.como pode ser eterno um amor que não é no coração, é na alma de adolescente.sim, que adolescente tem uma alma diferente.é alma que suspira,que sangra mel,que sobe nas alturas e toca nuvens e roda como um pião bem lançado...e depois tudo é tão presente,as promessas,as palavras trocadas, os beijos que serão sempre lembrados e únicos.
e depois tudo pára.alguém já não sente como a nossa alma.e lembramo-nos que temos coração.
tudo se desvanece e o mundo desaparece,a raiva enlouquece, o silêncio está em todo o lado,nas palavras escritas,das promessas feitas,dos sorrisos cumplices.
o coração sangra e a alma cresce.
e o mundo não pára,não anda para trás e sufoca-se em ar,em soluços,em lágrimas e desaparecemos.

mas...
o dia vai nascer novamente e a vassoura do tempo varre tudo, e asas brancas vão esvoaçar e serão ouvidas novas gargalhadas...e tudo começa de novo...a vida.

e recordações ficam.não as amargas,mas as doces,da alma que sangrou mel,a cumplicidade que faz crescer...

como foi bom o tempo que passou...como é bom saber que a alma é uma ilusão, e o melhor é o que o coração sente...