Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

Hoje

Hoje estou sozinha.Momento raro no meu dia a dia, que é preenchido por tantos seres com vontades e necessidades tão diferentes que me baralham até à exaustão.
Mas estou aqui.Só.Ouço, não o canto dos pássaros, que deveria escrever e ouvir a quem se prese de escrever alguma coisa,mas ouço e percebo a velocidade dos carros que vão passando mesmo a alguns metros da minha varanda.Tenho os janelões escancarados como se de um dia de verão fosse, ou pensando que o é,pois apetece-me respirar,sentir o sol trémulo a entrar trazendo atrás de si a aragem que se tornará frio mais para a tarde.
O dia corre sem sobressaltos.E porque não haveria de ser assim.Claro que para mim é inédito, pois não existe dia, ou noite que por momentos dentro da minha cabeça não sinta uma angústia,um sobressalto por algo que possa estar fora do sítio,do tempo,de alguém.
E os carros passam...para onde irão?Quem levam?Gente anónima que se pode transformar em alguém que nos tornemos conhecidos.Basta o carro parar,basta eu ir à varanda e acenar,sorrir e dizer olá.
Engraçado os gestos que podemos resolver ter numa tarde de solidão apetecida.Era engraçado...mas não!Vou fechar o janelão.Estou a ficar com frio e olho para o lado e vejo um livro que me convida a um momento de leitura.
Vou...

Sábado, Dezembro 10, 2011

Regresso?

Se regressei?Não sei.Mas que sinto vontade de escrever, de contar de falar sinto.Mas sem maiúsculas,sem virgulas sem pontos...talvez alguns para que tudo fique bem entendido e percebido.
O tempo vai passando rapidamente sem me aperceber,hoje sinto-o lento, mas quando me sento e paro para pensar,penso olhando para ontem e vejo como todos os minutos e segundo correram tão depressa...e agora estou aqui.
Como estou?Viva, talvez...ou então sobrevivida de uma tempestade que ainda vai tendo alguns ventos e chuvadas fortes.Passei de menina a mulher e de mulher a tudo o que faz parte de vida que mesmo sendo mulher nunca quis ter...morte,desencanto,desilusão,desgosto,preocupação,sofrimento.Estas são sempre as palavras de que fugimos,mas que sempre nos aparecem ao virar das esquina, pegajosas e tinhosas mesmo!
Mas mulher é conhecer o sorriso de mim própria,por entre as lágrimas que choro eternamente,de conhecer o amor verdadeiro,sem pressa,sem correria,sem ansiedade.Amor sem fogo alto,mas com brasas sempre rosadas para manter o calor.Este sim...é o paraíso dos vivos,dos que olham a vida com esperança.
Continuo insatisfeita,bipolar nas emoções, sempre o disse e continuarei,pois foi o defeito que encontrei em mim,mas o que me tem dado crédito a mim própria para viver na minha seriedade e confiança.Tem-me dado bons momentos de felicidade, pois esta só o é por momentos, não nos convençamos que é permanente,mas tem-me dado tantas perdas.São as perdas que muitas das vezes me detroem,me fazem desistir,mas a bipolaridade que reina no meu coração e mente acabam por me levar ao caminho certo e percebo que as perdas já se transformaram em ganhos, em batalhas internas do que sinto e do que quero sentir.
Lamento os afastamentos.Dizem que é a vida que nos leva afastar das pessoas que nos eram próximas, algumas delas quase irmãs e irmãos de sangue, fossem família, fossem amigos...mas neste momento,que vejo quase como último para mim,vejo que não é a vida que nos afasta,somos nós que afastamos a vida e fechamos os olhos e fazemos de conta que tudo é,quando não é.Quando digo que este momento é quase um ultimo momento para mim, não se assustem, aqueles que ainda por aqui passam...o dia a dia mostra-me que devemos viver todos os momentos como sendo o último.Só assim podemos perceber as falhas que temos...e ainda bem que temos o dia de amanhã para colmatar as falhas.
Amanhã...quem sabe, dê mais um passo para reencontrar alguém que a "vida" a fez se afastar, ou a "vida" me fez afastar...batalhas ainda por vir...amanhã!

Domingo, Fevereiro 13, 2011

Mais um dia,hora,minuto.22.40horas...o João nasceu já há 15 anos.Vejo-o crescer e todos os dias o vejo partir para longe de mim, para construir o caminho que espero e anseio que seja de boas coisas, de bons momentos e de poucas perdas.
Mas um dia irei...e desejo que esteja perto de mim,me segure a mão e me diga baixinho:vai mãe,vai com um sorriso...fico aqui para te lembrar e nunca deixar que te esqueçam.
Mas serei digna de ser relembrada?Que faço hoje para um dia não ser esquecida?Não sei.Não pretendo imortalidade,mas quero deixar a marca nos meu filho, na minha filha, que vivi em plenitude, que fui feliz, que amei,que desesperei, que chorei as minhas perdas,que chorei a alegria de os ver sorrir.
Quero ser eterna para ele...como o levarei no meu coração.

Domingo, Fevereiro 06, 2011

desliguem o som

Os dias continuam cheios de sol.
Sol que aquece por momentos, mentiroso no tardio, pois depressa enregela quem se distrai.
E penso sem pensar, mas que me vem à cabeça que o lugar não é este que eu quero estar e sentir que a vida acontece sempre ali.
Ouço o mar,bem perto, perto demais porque não gosto de ouvir, me arrelia e me põe tonta com o som que parece vindo de um búzio em continuo movimento, que eu não vejo a andar.
Nas palavras e caras nada vejo,nada sinto, mas o som de tudo e de todos cada vez que vibram dentro da minha cabeça mostram-me o que não quero ver, o que não quero sentir.E grito!
Grito dentro de mim por ouvir o respirar,o suspirar,o balançar,o olhar, o pestanejar.Os sons atingem volumes estrondosos dentro dos meus ouvidos e só quero deixar de ouvir.deixar de ouvir.deixar de ouvir.
E parar ali, aqui. Na imensidão do silêncio que procuro para estar viva.

Domingo, Janeiro 30, 2011

Fevereiro quente...diabo no ventre!!!

Escrever.Quando a alma é pequena,apertadinha tudo nos perece pequeno,triste e soturno.
Tenho andado por aqui como uma alma penada, triste como a noite, sem compreender as andanças da vida...
Vivo, ainda,e alguém me disse que assim seria, numa tormenta de emoções desde que o meu pai se foi.Se foi?Para onde?Morreu e acabou.Mas não sinto que tenha acabado.Comecei a nova era da minha existência,complicada,de incerteza,de insatisfação constante.Porra.E depois engordo...
Vivo os momentos mais parvos que alguém pode viver, dizem...que me importo com tudo e com todos.É verdade. E depois esqueço-me que existo, que tenho de me ver ao espelho, que tenho cortar o cabelo, que tenho de fazer depilação, que tenho de por creme na cara para esconder a idade, que tenho de viver o que quero e o que gosto, que tenho de voltar a sorrir e já nem me lembro como é, que tenho de dizer o que sinto e ninguém me ouve.
Mas a vida não é madarasta para mim.Não!
O João enleva-me na maneira de ser, bonito nos sentimentos, esplendoroso na maneira de estar e ser.O filho que me dá dor de alma a ver chorar por ter quase 15 anos, que dá dor por ser palerma e não aceitar um não meu, um filho que dá dor de saber que um dia vai embora.
A Leonor...como dizia o meu pai...está vingado!Pois está.Põe-me enlouquecida com a falta de crescer, mas ainda bem que ainda não cresceu, pois assim ainda é a minha Leonor.Depois sofre, chora e não percebe que na vida nem sempre tudo é como nos filmes...acabam bem e todos felizes.E é grande,matulona,leva tudo à frente...mas fala a bébé, encolhe-se em mim e quer colo da avó...e diz, o meu avô Fernando, já não diz só:o avô!Como se o avô só tivesse existido nas fotografias que vê.
A minha mãe...ó mãe!Espera ansiosa pelo encontro com o grande amor dela.E vejo nos olhos o chorar de todos os dias,a revolta escondida,a saudade em cada ruga nova que todos os dias aparecem,o faz de conta que a vida até corre bem.Desde que todos estejemos bem, a minha mãe vive,ou antes sobrevive, e doi-me.Mas quero-a aqui ao meu lado,Estarei sempre ao lado dela.
O Luis...que aconteceu ao Luis.Continua a ser o olho verde,o companheiro, o amigo, o cúmplie na vida.É o amor tranquilo que encontrei e que me faz acreditar, querer acorda todos os dias.E depois olhamos um para o outro e continuamos a acreditar que novos rumos temos de seguir.
Eu penso nisso.Em rumos novos, em coisas novas,numa vida diferente...
Quem sabe...
Mas vem o Fevereiro, cheio de aniversários, o João a 13, a Leonor a 23.E todos os outros que vão crescendo e descobrindo que o sol faz rir e a chuva nos molha mesmo a sério e se mistura nas lágrimas que tanto escondemos.
Fevereiro talvez venha com neve, a mim faz-me bem...se vier quente...fujo!

Quarta-feira, Outubro 06, 2010

6 de outubro de 2010

Porquê hoje regressar este local onde já ri, chorei, praguejei, sonhei,desiludi?
Não sei.Sei apenas que vim aqui dar.
Dizem que não escrevi mais, que me faltam as palavras.Verdade...mas não serão as emoções que me magoam,que me deixam sem ar, que me angustiam que me castram a vontade de escrever?
Não procuro a perfeição de viver, seria um erro e jamais seria o meu objectivo de vida, mas procuro justiça, plenitude de igualdade entre todos, e muito importante, mesmo muito importante para mim...respeito.
Respeito pela diferença na cor, na crença, na politica, no desporto, na deficiência...mas respeito pelas ideias diferentes não encontro em lado nenhum.Ou será que eu é que ando ao contrário de tudo e de todos?
Um dia disseram-me que iria ficar sozinha...que assim seja.Sozinha, mas forte nas convicções, na justiça, na vontade de um mundo melhor.
Jamais ficarei parada, jamais deixarei que o mundo me passe ao lado, jamais farei de conta que não vejo.
Se o fizer, estarei morta.
O que vim aqui fazer?Gritar...sem um som que a minha voz pudesse dar...

Quinta-feira, Abril 01, 2010

e já vou nos 41...

41 anos.
Número contrário ao aniversário do meu filho.Achei piada que usamos as mesmas velas.
Como temos usado as nossas vidas entrelaçadas.
Vivemos momentos de alegria e paz, misturados com a melancolia da saudade.
Vou olhando para ele e apercebo-me o quanto é importante gostar de viver.
Ele com 14 e eu com 41, a vivermos o nosso caminho, diferente, paralelos, com paragens e corridas, mas sempre juntos.
Depois olho a Leonor.Ainda bébé, com 10 anos.Ainda pequena num corpo de adolescente.Ainda menininha com ares de grande!
Ainda de colinho, mas independente quando interessa.
Sinto-a como eu.Uma "bipolaridade" de emoções,de sentimentos, de fases, de humores.
E vamos andando.De mãos dadas, entrelaçados uns nos outros, entrelaçados com Luís, o amigo, o marido, o nosso refúgio.
Que bons 41 anos.