sexta-feira, janeiro 08, 2010

Os Cinco da Feira...

Se de um lado somos as mulheres que somos...do outro lado, do lado da minha mãe, o universo de netos é bem mais reduzido.
Eu, o meu irmão e as três Rolas.
Rola, apelido do meu tio, que apenas por mim e meus filhos chamado de Papapanha, o pai que vinha de Espanha nos meus tempos de criança, que ficou com o nome e com a missão:de ser também um pouco meu pai...e tem sido.
Pois nós, as netas e neto da avó Ofélia, "Felinha" para os conhecidos, fomos criados juntos, misturados nas idades, em fraldas e biberões, que acabamos por nos misturar e quase sermos irmãs e irmão uns dos outros...
A Maria Miguel, a mais velha, a menina de todos, veio dar alento à família pois foi a primeira.Afilhada dos meus pais, também os baptizou de "Nãs", o "" e a "".Nasceu e foi baptizada quase à nascença a 8 de Dezembro de 1967, dia do casamento dos meus pais.
Sempre se contou como ela era tímida e envergonhada, que quando alguém desconhecido dela aparecia, se escondia...mas o padrinho sempre contou as peripécias da menina dele, com a caixa que estava numa mesa redonda da sala dos meus avós...morota a fotografia que existe do momento em que ela a vai buscar!Depois, conta-se da vontade da minha tia, a Titi, mãe tão desejosa de ter filhos, e só arranjou raparigas, da vontade de ser um pouco cabeleireira que a converteu em loura com um corte a corte que deu quase em pente zero...
Foi sempre boa aluna, mas indecisa...entrou em Coimbra pela porta das ciências e saiu anos mais tarde, realizada, pela porta das letras. Pelo caminho cantou(grande paixão que ainda dura)no Orfeão e encantou um belga, que veio desposá-la anos mais tarde. Deles nasceram dois meios belgas e meios portugueses, que dão continuidade às famílias.Mas os tempos ficaram difíceis e a solução foi o "emigrar" para a Alemanha como em outros tempos, mas agora com melhoria de vida para eles, e melhores perspectivas do que aqui tinham.Falta-lhe a família, os nossos encontros, as conversas entre irmãs, os mimos de todos, mas a tecnologia deixa-nos perto...sem sentir o calor do beijo e abraço desejado em todos os momentos que nos visitam...Mas sei que estão bem.E isso é bem mais importante...mesmo com muitas saudades!

Depois da Miguelita, vim eu..que esgotei o dicionário das minhas vivências...mas não dos meus sentimentos em relação à que veio a seguir...

A Maria Claúdia. Kai, Cakai.Quando nasceu, 13 dias depois de mim, o meu pai apaixonou-se por ela.Dizia que nunca tinha visto bebé tão lindo na vida(obrigado...pela parte que me toca...), que chorou de emoção e ali se estabeleceram laços de uma vida, que nem a morte dele cortou.

A Kai é uma mulher rija.De paixão, sobrevivente, fascinante na vida.Desde cedo se ligou ao companheiro, e casou sem dizer nada...fez o que lhe deu na gana...teve sempre essa coragem.Cresceu tanto como mulher, que nunca a imaginei grande!Acho que ainda a sinto pequenina ao meu lado a ferrar-me a testa...e a chatear-me pelos xixis nocturnos!Depois discutíamos...e tantas histórias mais...que acabaram no tapete!Kai...concebeu dois filhos lindos, apaixonados por ela, como todos nós.Como eu, sempre apaixonada achando-a uma Deusa...De todos é a melhor...sem dúvida.Vive no Minho, que adoptou como berço, onde trabalha na solidariedade, dando a mão a quem precisa, andando com os filhos de um lado para o outro, correndo devagar na vida, sempre com aqueles olhos verdes que lhe mostram a alma a quem a conhece. Eu, tenho saudades dela, das conversas, mas crescemos...Está sempre onde é precisa, no bom e no mau, nos sorrisos e nas lágrimas...e tantas que derramamos...

Kai...as últimas palavras que o "" disse.Imortal.

Entretanto aparece o galo dos netos...o meu irmão...a minha avó conta que o meu avô já não tinha esperança do rapaz, então foi para as termas em alturas da minha mãe o dar à luz.E que luz...nasce o rapaz e o avô vem de corrida para o ver, e soltam-se vivas pelo macho de herdeiro!

Cresceu entre a meninas e levou poucas e boas entre nós...depois cresceu e deixou de nos ligar!!!


Por fim, mas a dar que falar, nasce a bonequita...já em Espanha para segurança da minha tia, na 3ª cesariana. Apesar de registada como portuguesa, os ares da Galiza entraram-lhe bem no corpo. Ainda hoje, se sente meio espanholita.Era a menina...mas dizíamos-lhe que era adoptada...chorava teatralmente...já a veia lhe falava.É teatreira, cantadeira, imaginativa, teimosa, bondosa, boa cozinheira e sonhadora.

Viveu bem os tempos de estudante, na Coimbra que ainda a faz sonhar, depois engraçou-se por um sanjoanense...e lá se ficou com rapazito. Gargalhadas dadas, conquistou-nos a todos, e, vi-o entrar na família bem enamorado da nossa pequenita.

Casal engraçado...Carneiro com Virgem!

Nascem pimpolhos mais tarde, o Manuel e a Luísa, que atiram ao pai, mas também atiram à mãe...mãozinhas iguais às da mãe...Lindos, engraçados, mas com o maior dos defeitos para esta minha prima...nada comilões e nada apreciadores de bons manjares!!!

Vale-lhe o marido que gosta de um pitéu...

Continua na luta, vai trabalhando e mudando conforme a vontade e desejo por um mundo e melhor vida.Vai conseguindo...e não se deixa derrotar.

E assim somos nós...os 5 netos da minha avó e avô da Feira.

De nós já se registam 9 bisnetos e mais uma a chegar para Maio.

Família que cresce, família que dura, família unida!Sempre.

2 comentários:

Mariazinha disse...

entre lágrimas e soluços ,aqui estou eu e que abraço me apetece dar te ...bjs
titi

Anónimo disse...

tens algum contrato com a Kleenex???

beijinhos perfumados